História

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Chegar ao nível de um campeão mundial não é fácil em nenhuma modalidade. O atleta precisa ter passado por muitos momentos de preparação desde cedo, e foi isso que aconteceu com Charles Chibana. Confira a trajetória de vida de um dos judocas brasileiros mais importantes da atualidade.

“Edifício Chibana”

Nascido em 11 de setembro de 1989 em uma família com descendência japonesa, Charles Chibana cresceu literalmente rodeado por seus parentes. Além dos cuidados dos pais Mário e Hiroko, e da companhia dos irmãos mais velhos Tony, Jhonny e Rhonny, ele também conviveu bem de perto com seus avós, tios e primos no mesmo prédio.

pessoais 7O edifício na Vila Carrão, Zona Leste de São Paulo, foi construído pela família dos filhos de Kohan Chibana, avô de Charles, que faleceu há três anos. Atualmente, todos os sete filhos homens de Kohan ainda moram no mesmo local.

“Meu avô teve oito filhos, sendo sete homens e uma mulher. Desses, só a mulher não mora lá. Construímos o prédio e todos os filhos do meu avô moram lá com suas famílias, além da minha avó. Quando podemos, fazemos churrasco e festa para todos, é só chamar todo mundo do prédio”, brinca Charles, que recentemente se mudou da casa dos pais, mas não deixa de visitá-los.

Esse contato próximo com a família e com seu avô facilitou a relação com os esportes. “Meu avô praticava karatê, e passou isso para meu pai também. Mas ele quis que os netos fizessem judô, pois gostava muito da filosofia, então todos os primos tinham que fazer judô. Eu comecei logo aos três anos, mas achava que não duraria muito tempo”, conta.

“Escolhido pelo judô”

A esperança de que não continuaria no judô por muitos anos tem uma explicação curiosa: Charles não gostava de praticar o esporte durante sua infância. Aos três anos de idade, o garoto foi obrigado a praticar a modalidade.

“Comecei aos três anos na Vila Carrão, com o Sensei Yamamoto, por causa do meu avô. Meus três irmãos já faziam, e meus primos também, mas nós não gostávamos”, confessa. “Eu era como toda criança. Adorava jogar futebol, não ligava muito para as aulas”, brinca.

Mas a empatia de Charles com o judô começou a aparecer depois de alguns anos. O garoto que ia para competições e preferia ficar jogando bola começou a crescer, vencer importantes campeonatos e viajar pelo Brasil e pelo mundo.

“Primeiras competições – levando o judô a sério”

40notatameO primeiro título de expressão de Chibana veio aos 10 anos, quando venceu seu primeiro Campeonato Paulista, em 1999. Depois, em 2002, ele confessa que começou a se interessar mais pela vida de judoca. “Só depois de vencer o Paulista e o Brasileiro em 2002 que comecei a gostar de judô, principalmente por causa das viagens e porque via que estava começando a ganhar competições importantes”, comenta.

“Em 2005, fui para o primeiro Pan-Americano quando ainda era juvenil, viajei pela primeira vez competindo. Foi muito legal. Eu comecei a gostar de conhecer outros lugares, outras pessoas, então ali eu já levava o judô a sério”. E essa mudança na vida de Charles traria resultados inesperados até então alguns anos depois.

Durante sua carreira pré-adulto, o garoto colecionou títulos, vencendo o Paulista e o Brasileiro cinco vezes cada (1999, 2002, 2004, 2005 e 2007). Com esses resultados expressivos, Chibana começou a treinar e competir em 2006 pelo Esporte Clube Pinheiros, clube no qual continua até os dias de hoje.

A estreia como judoca da seleção brasileira principal aconteceu em 2007, com o segundo lugar no Campeonato Mundial por equipes na China. Depois disso, os resultados e a experiência foram aumentando ano após ano.

“2013 inesquecível”

36notatameO ano de 2013 foi inesquecível para o judoca tanto em relação a conquistas quanto em aprendizado. As duas maiores vitórias do atleta foram uma medalha de ouro e uma medalha de prata nas etapas de Moscou e de Tóquio , respectivamente, do Grand Slam de Judô. Charles explica a importância que cada uma dessas medalhas tem para sua carreira.

“Minhas principais conquistas foram Moscou e Tóquio. Moscou pelo ouro, e Tóquio por ser uma competição muito difícil, pois mais japoneses disputam quando as competições acontecem lá, então o nível foi muito alto”.

E a alegria de Charles em ir bem numa competição contra atletas japoneses vem de uma dolorida lição aprendida em 2013 no Mundial de Judô no Rio de Janeiro.

Após quatro vitórias por ippon na fase de classificação, nas semifinais ele enfrentou o japonês Masashi Ebinuma. A luta foi equilibrada e até 19 segundos para o fim da luta o brasileiro tinha vantagem de uma punição contra o japonês, mas, sofreu um golpe que rendeu um ippon e a vitória para o japonês.

Na repescagem Chibana encarou outro japonês, Masaaki Fukuoka. Começou mais agressivo, mas, também sofreu um golpe, perdeu por ippon e ficou sem medalha no mundial. O judoca fala sobre a lição que teve com essas derrotas.

“Claro que fiquei bastante triste, mas procuro sempre ver pelo lado bom das coisas. Perdi a semifinal nos segundos finais, e essa foi uma lição que tirei, para tentar não errar isso novamente até 2016”.

Ouro nos Jogos Pan-Americanos

11542114_867595046609257_6090944815072347599_nAtendendo às expectativas, Charles Chibana conquistou o ouro nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, no Canadá. Essa conquista foi uma das mais importantes na carreira do atleta, dando a ele uma visibilidade mundial e afirmação necessária para conquistar seu objetivo principal: a medalha olímpica no Rio de Janeiro, em 2016.  

Na primeira luta do Pan, Charles enfrentou o salvadorenho Gustavo Aguilera e venceu por ippon com 1m11s de luta. Na semifinal, encarou o venezuelano Sergio Mattey, vencendo novamente por ippon, aos 50s de combate. Chibana classificado para a disputa do ouro!

Na final, ele tinha pela frente uma tarefa mais que dura, o atleta local Antoine Bouchard, e não decepcionou: venceu com um novo ippon, o terceiro consecutivo, garantindo o tão sonhado “lugar mais alto do pódio”!

1 - Nome“Rio 2016”

No Rio 2016, Chibana entrava focado e feliz pelo apoio em massa das arquibancadas. No de abertura, encarou logo um forte adversário, o japonês Masashi Ebinuma, campeão mundial e que seria medalhista de bronze nesta edição.

Agora, seu foco passa a ser as competições da IFJ, até os Jogos de Tóquio, em 2020.